Doença de Parkinson

Atualizado: 4 de mai. de 2021


Doença de Parkinson é a segunda desordem do movimento mais frequente na população, sendo a primeira o Tremor Essencial. Desordens do movimento ocorrem quando existe um mal funcionamento afetando o processo cerebral de controle fino dos músculos humanos. São movimentos involuntários que dificultam o paciente a fazer até as mínimas tarefas do dia a dia, como alimentar-se, fazer seus cuidados higiênicos, vestir a roupa etc.


Doença de Parkinson também é a segunda doença neurodegenerativa (morte de um tipo específico de célula do sistema nervoso) mais frequente na população, sendo a primeira a Doença de Alzheimer.



Doença neurodegenerativas implicam na morte específica de uma subpopulação de neurônios. Por exemplo, no caso da doença de Parkinson, os neurônios da Pars Compacta da Substantia Nigralentamente vão parando de funcionar e morrem. Com isso, as sinapses (comunicações entre as células nervosas) também sofrem e a comunicação harmônica entre as diferentes estruturas cerebrais responsáveis pelo iniciar do movimento bem como pela execução fina do movimento se perde.


As causas ainda não são totalmente esclarecidas mas sabe-se que existem mutações genéticas nos pacientes com a Doença de Parkinson e que exposição a pesticidas e inseticidas podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença.


Quadro Clínico

Os sintomas da Doença de Parkinson são progressivos sendo que o ritmo de ocorrência dos sintomas e a progressão para níveis incapacitantes varia de paciente a paciente.


Os principais sinais são:

  • Tremor principalmente em membros superiores, inferiores e região cefálica predominantemente na região da boca (oro-mandibular);

  • Rigidez nos membros;

  • Lentidão de Movimento (denominada bradicinesia em termos médicos);

  • Postura encurvada, denotando uma aparência de idade maior que a própria idade biológica;

  • Passos pequenos e lentos, hesitação ao caminhar e congelamento;

  • Lentidão em piscar dos olhos;

  • Diminuição da expressão facial;

  • Lentidão para engolir resultando em excesso de saliva;

  • Instabilidade postural que pode resultar em quedas;

  • Obstipação;

  • Diminuição do olfato;

  • Falta de iniciativa;

  • Depressão, Demência;

  • Distúrbio do Sono caracterizado por pesadelos e agitação.

O diagnóstico é clínico baseado em:

  • História clínica;

  • Exame neurológico confirmando a presença dos sinais cardinais da Doença de Parkinson;

  • Exame de imagem do cérebro;

  • A resposta terapêutica à medicação também ajuda a confirmar o diagnóstico.

Tratamento:

  • Fisioterapia Motora/Atividade Física: manutenção da atividade física e mobilidade de acordo com os diferentes estágios da Doença é mandatória.

  • Fonoterapia: quando houver necessidade

  • Medicamentoso: inclui várias medicações sendo que a principal é a reposição de L-Dopa.

Algumas medicações estão listadas abaixo:


Levodopa: fármaco principal e mais potente, disponível em diferentes formulações que permitem “refinar” a dinâmica de absorção da medicação como a formulação dispersível e a de liberação lenta.

  • Pramipexole

  • Ropinirole

  • Rotigotina

  • Rasagilina/ Selegilina

  • Entacapone

  • Amantadina

  • Bromocriptina/ Cabergolina

  • Pergolide

  • Rivastigmina

  • Biperideno

  • Triexifenidil


Cirurgia


indicada quando o paciente não consegue mais manter a qualidade de vida apesar do uso correto da medicação e da atividade física/fisioterapia de rotina. Um estudo conduzido em vários centros especializados na Europa demonstrou que a cirurgia realizada mais cedo no curso da doença de Parkinson ajuda mais na qualidade de vida do paciente que o manejo medicamentoso sozinho. Esse resultado engloba melhor controle dos sintomas motores bem como auto-estima e convívio social. Existem diferentes técnicas e alvos no cérebro para intervenção, a depender dos sintomas parkinsonianos predominantes e do estado geral do paciente.


Tipos de Cirurgia

Cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda: técnica de neuromodulação. É a cirurgia mais comumente empregada no tratamento cirúrgico da doença de Parkinson. As configurações do gerador podem ser ajustadas durante sessões de programação realizadas no consultório médico. Os marcapassos ou geradores podem ser carregáveis (durando entre 15 a 25 anos) ou não-recarregáveis (duração bem menor, variando de 2 a 7 anos). Os equipamentos têm se tornado cada vez mais sofisticados nos últimos anos com capacidade de direcionalidade do estímulo elétrico e, no futuro próximo, de estimulação “adaptativa” ao invés de contínua.


Cirurgia por Radiofrequência: desconexão seletiva utilizando energia térmica por meio de um eletrodo. O paciente não fica com nada implantado, diferentemente da estimulação elétrica.


Radiocirurgia: apenas para os casos com predomínio de tremor – não há necessidade de internação e anestesia. A radiação é focada com precisão submilimétrica apenas na área onde a intervenção é feita, promovendo a desconexão seletiva, sem que o cérebro em torno receba nenhuma dose de radiação que seja significativa.


Intervenções Experimentais:

- Injeção Extereotáxica de Adenovírus e Fator GDNF

- Ultrassom de Alta Frequência


A cirurgia para Doença de Parkinson é realizada desde a década de 40. Houve uma diminuição do volume de cirurgia nos anos 60, por ocasião do descobrimento da Levodopa, que pareceu poder “curar” a doença. Não existe cura para Doença de Parkinson mas sim controle dos sintomas por meio de uso das três modalidades terapêuticas descritas acima: física, medicamentosa e cirúrgica.

Nas últimas 3 décadas mais de 160 mil cirurgias foram realizadas em pacientes com Parkinson comprovando que a cirurgia, em casos selecionados, melhora em muito a qualidade de vida do paciente bem como possibilita redução do consumo de medicamentos com perfil extremamente seguro (poucas complicações pós-operatórias).


Obviamente, como tudo na medicina moderna, é apropriado que apenas o neurocirurgião funcional especializado em desordens do movimento avalie os pacientes quanto à indicação/riscos da cirurgia e indicação sobre o melhor procedimento cirúrgico a depender dos sintomas predominantes da doença, idade do paciente, da saúde geral, suporte familiar etc. O neurocirurgião funcional trabalha em conjunto com o neurologista do paciente no manejo desses pacientes, desde a avaliação pré-cirúrgica, peri-operatória e pós-operatória.

 

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